Seguidores e curtidas, você precisa mesmo?

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Seguidores e curtidas, você precisa mesmo?

Querido amigo,

Estive pensando: Porque nós “precisamos” de mais curtidas e de cada vez mais seguidores? Seria porque isso ajuda nossa autoestima? Ou será que é porque isso ajuda a validar nossa fotografia? Ou seria porque queremos poder, fama, dinheiro e influência com o nosso trabalho? Ou um pouco de tudo isso?

Porque temos que postar uma foto todo dia?

Uma das coisas sobre a internet é que sempre queremos ver algo novo por lá. Amamos visitar blogs e sites que nos dão conteúdo novo.

Com as redes sociais, amamos o ver as pessoas interagindo com o que postamos. Viciados em curtidas, novos seguidores e comentários. Até pagamos por isso. São coisas que nos dão uma ideia de progresso, de significado e alegria quando temos esse retorno, essa aprovação externa.

Mas honestamente, no fim do dia isso é tudo muito bobo.

“Suficiente” nunca é o “suficiente”

Recentemente fiz o link entre dinheiro e os seguidores nas redes sociais. Os dois são baseados em números e para ambos o céu é o limite.

Por exemplo, estamos sempre em busca de mais dinheiro. Não existe um patamar de “dinheiro suficiente”.

Foi feito um estudo com pessoas das classes sociais baixa, média e alta perguntando, “quanto dinheiro você precisa para ser feliz?” E o resultado foi que, segundo elas, precisavam de 10% a mais do que ganhavam para serem verdadeiramente felizes.

É óbvio que precisamos de dinheiro para sobreviver. Afinal, temos que nos alimentar, pagar aluguel, o gás e inúmeros outros custos aleatórios para sobreviver. Mas, por outro lado, nós não necessitamos mesmo de mais dinheiro, ter mais dinheiro certamente é preferível, mas será que isso é realmente uma necessidade?

Com as mídias sociais, é legal ter um monte de seguidores e curtidas. Mas em que momento essa quantidade de seguidores se torna suficiente? Seria quando atingirmos 100 seguidores, ou os mil seguidores, os 10 mil, ou 1 milhão de seguidores?

Existe verdadeiramente um ponto que nos deixará satisfeitos? Acredito que não.

Vamos sempre nos adaptar

Como seres humanos, “suficiente” nunca é mesmo o “suficiente”. Está no nosso código genético. E faz sentido. Queremos mais comida e nenhuma quantidade é suficiente. Queremos mais, e não podemos correr o risco de passar fome.

Quando se trata de dinheiro, somos vítimas de uma adaptação hedônica. Se ganha uma determinada quantidade e nos acostumamos a ela. E no momento em que desejamos mais prazer na vida, pensamos que o dinheiro irá trazer essa verdadeira felicidade.

Independente da quantidade de dinheiro que se ganha, sempre vamos querer um pouco a mais do que temos.

E com as mídias sociais é da mesma forma, não importa a quantidade de curtidas, seguidores ou comentários. Ficamos acostumados e queremos mais.

Meu sonho já foi ter 200 curtidas em uma foto. Quando alcancei esse patamar, ele se tornou o meu novo padrão e sempre que consigo menos de 200 curtidas fico insatisfeito, tenho a impressão de que falhei. Então comecei a sonhar com 300 curtidas, 400, e hoje mesmo com 1000 curtidas isso não me parece ser o suficiente.

Ao trabalho

Então qual é a chave para essa loucura que as redes sociais nos colocam?

Fácil. Pare de usá-las ou decida parar de participar desse jogo.

Estou começando a perceber que muito na vida é parecido com jogar um jogo. Queremos ganhar, mas não fazemos ideia de qual pontuação atingir.

Usamos então as referências externas como quanto dinheiro ganhamos, quantos metros tem o apartamento, quantos e quais carros já tivemos, quais marcas vestimos e qual o tamanho da nossa influência nas redes sociais.

Mas, o problema é que a vida não é um jogo. Não podemos quantificar o nosso valor em números.

“Vencer” na vida não vai além de viver uma vida com um propósito, um significado e compartilhar amor.

Na fotografia, não existe perder ou vencer, mas mesmo assim tentamos usar referências externas para provar nosso sucesso.

Um exemplo disso é quando começamos a quantificar nossos seguidores no Instagram, quantas pessoas conhecemos, ou o quanto nossas câmeras são caras, e quando começamos a nos exibir com a abertura de nossas lentes.

Mas, para ser um fotógrafo de sucesso, você precisa apenas fotografar. Fotos que te tragam alegria, que levem alegria e que transmitam calma e paz. Você não precisa de uma vida badalada para ser um fotógrafo de sucesso.

O que importa no final

Dessa forma, pense que no final de nossas vidas, vamos descansar satisfeitos sabendo que temos um milhão de seguidores em alguma mídia social? Será que conhecer muitas pessoas e ter um nome prestigiado vai trazer paz? Ter viajado pelo mundo inteiro vai trazer mesmo satisfação e alegria?

Ou serão as coisas simples da vida, quando fotografadas, que trarão felicidade? Compartilhar fotos com alguns amigos próximos, ou tirar fotos do que te inspira e fazer fotos que te deixem orgulhoso (mesmo que outras pessoas não se importem).

Fotografia também diz respeito a uma jornada interna, um processo de auto conhecimento.

Ignore as curtidas, os seguidores e o jogo das redes sociais. A única forma de ganhar o jogo das redes sociais é se recusando a jogar pelas regras colocadas pelos outros. Crie suas próprias regras, isso vale para a sua fotografia e também para a sua vida.

Fonte: http://erickimphotography.com/blog/2016/07/26/why-do-you-need-more-likes-or-followers/

 

  • Andressa Silvestre

    Eu acredito muito que cada um de nós precisa buscar o que lhe faz bem e o que traz a paz.
    A ideia das “regras colocadas pelos outros” é bem controversa. Por exemplo, nós fomos criados com a ideia que dinheiro faz mal, que correr atrás dele é ruim e que pessoas ricas são más, insensíveis, etc etc.. Isso também é uma crença comum e que sabota o sucesso de muitas pessoas. Existem muitos padrões que não são nossos, que foram colocados pelo outro e nem temos consciência disso. Eu acredito que precisamos refletir sobre isso e buscar o que de fato importa na nossa vida. Por exemplo, um Youtuber que busca seus 100 mil seguidores está trabalhando com base em uma meta, em consequência disso ele pode estar ajudando e fazendo a diferença na vida de muitas pessoas. Ela vai parar nos 100 mil? Claro que não, ela vai criar outra meta. Isso é ruim pra ele? Depende. Se ele está focando no número em si, sim. Mas se está focando no que está por trás, no propósito e no que ele quer comunicar para tantas pessoas e porque isso é importante pra ele, então a história é outra. O inimigo não é o dinheiro, não são as redes sociais, não é o Pokemon. O inimigo é o que está na nossa cabeça.

    Ótimo texto! Abraço!

  • Reges Pineze

    Alguns dos grandes e famosos profissionais, inclusive de áreas midiáticas, não fazem idéia de quantos seguidores ou curtidas possuem. Isso porque estão ocupados, estudando mais, fazendo mais, se dedicando mais àquilo que faz de melhor. Penso que é isso mesmo, pois o tempo desperdiçado com mídia lhe rouba infinitas possibilidades de crescimento numa atividade. Geralmente contratam empresas que cuidam dessa parte pra ele, que respondem Twitter e Facebook em seu nome, pois os mesmos estão interessados em outras coisas… coisas mais palpáveis. A questão nem é “quantas pessoas você atinge” com seu trabalho, mas “o quanto de si” você consegue colocar nele e torná-lo único. É aí que tá a alma do seu trabalho, a essência da coisa toda… é aí que está “você”! Mesmo tendo lido o comentário da Andressa eu ainda acho muito interessante, mesmo não praticando nenhuma religião, o fato de Jesus ter dito que “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar para o reino dos céus”. Claro, não podemos ser pré-conceituosos, pois aquele que tá rachando de ganhar dindin pode não ser uma pessoa má e insensível, só que não é o que eu percebo, pois à medida em que você entende que a concessionária lhe rouba com os preços abusivos dos carros, que o supermercado lhe rouba com margens de lucro enormes, que a passagem que você paga nos ônibus são suficientes para abastecer, dar manutenção e gerar lucro pra empresa e que elas ainda ganham um subsídio da prefeitura… bom, quando você percebe que é roubando legalmente que a coisa funciona nesse jogo você reproduz o comportamento e tem que passar a fazer a mesma coisa com a fotografia. Diga-me: Qual fotógrafo, hoje em dia, tem a audácia de dizer pra um cliente como o casamento dele deve ser fotografado e que faça suas exigências para que o mesmo fotografe seu evento? Qual fotógrafo ou qualquer outro profissional, hoje em dia, age em seu trabalho da mesma forma que age em sua casa? Que seja sincero, que explique tudo e que pense mais no cliente do que nele mesmo? Bom, se isso não for puro egoísmo, ganância e insensibilidade eu preciso rever os conceitos atuais dessas palavras. Estamos no século do EGO, como dizem os pensadores atuais. Tudo é “EU” e cada vez menos é “O OUTRO”. Você não vota pensando no que é melhor para todos em seu país. Você vota pensando no que é melhor pra você! Quanto mais e melhor pra você, que se fodam os outros. E quando chegar a velhice e você não der conta mais de fazer nada direito, nem tiver os equipamentos necessários mais por não conseguir grana pra adquirílos… viverá de saudades e algumas pouquíssimas memórias… geralmente aquelas que antecederam seu sucesso… as que foram de verdade, pra valer, sem propósito… onde era apenas você, sua câmera e mais ninguém :)