Formas de se inspirar novamente | Completo

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Formas de se inspirar novamente | Completo

Se você é como eu, lida com alguns momentos de falta de inspiração. Há dias em que você quer sair para fotografar, mas existe um tipo de resistência que te impede de ir.

Como é que eu posso me inspirar novamente?

Bem, eu penso que alguns exercícios fotográficos são ótimos para te deixar empolgado novamente. Eles são bons também para construir confiança como fotógrafo, exercitar seu “olhar fotográfico”, e dar algum tipo de direção para o seu trabalho. Os exercícios que proponho são para Street Photography (soa melhor que “fotografia de rua”)

Aqui estão algumas sugestões de exercícios:

1 – O exercício “5 sim, 5 não”

Essa é uma ótima tarefa para tirar o medo de fotografar na rua. Você vai falar com estranhos na rua e pedir permissão para tirar uma foto deles. Você vai tentar receber cinco resposta positivas e 5 respostas negativas.

Qual o propósito desta tarefa?

Essencialmente eu acho que uma das melhores ferramentas para se perder o medo de fotografar na rua é pedir permissão.

Porque?

Eu conheço muitas pessoas que sentem medo de deixar os outros nervosos ou constrangidos quando os fotografam sem permissão.

Contudo se você pede permissão, você dá a pessoa a oportunidade de dizer “sim” ou “não”, assim você não deixa ninguém nervoso ou constrangido.

Além disso, é uma tarefa que mexe um pouco com o seu psicológico. Como? Bem, eu acho que um dos maiores medos das pessoas que querem fazer fotografia de rua não é ser rejeitado, mas o medo de ser rejitado. O medo da rejeição é frequentemente a maior barreira. É o que nos impede de começarmos nossas próprias empresas, chamar alguém para sair, ou tentar algo novo e arriscado (outra vez o medo de falhar do que o medo da coisa propriamente dita). Mas como uma criança, as vezes você precisa cair algumas vezes para entender que falhar na verdade não é assim um problema tão grande.

E mais, esse exercício vai ter forçar a ser rejeitado. O que eu quero dizer com isso?

Bem, vamos dizer que você começa e consegue 5 pessoas que disseram “sim”. Ótimo! Bom trabalho! Mas agora você ainda precisa correr atrás de 5 pessoas que não deixem você as fotografar.

Então você começa a ir atrás das 5 pessoas mais esquisitas da rua (gente que parece nervosa, chateada ou que você pensa que vão dizer “não”) e pede permissão a eles.

Você realmente vai conseguir muitos “nãos” – mas talvez menos “nãos” do que você esperava. Na verdade, as vezes as pessoas que você acaha que vão rejeitar sua proposta acabam aceitando.

Eu já fiz essa tarefa e as vezes as pessoas que parecem mais esquisitonas são de fato as mais amigáveis. E vice-versa, as vezes as pessoas que parecem simpáticas são uns grandes idiotas.

2 – O exercício “10 não”

Esse exercício é uma versão do “5 sim, 5 não” – mas ele dá um passo além.

Você vai fazer praticamente a mesma coisa: Pedir permissão para fazer retratos de desconhecidos e conseguir 10 respostas negativas o mais rápido possível.

Para mim esse é um exercício melhor que o “5 sim, 5 não” porque você pula direto na lado fundo da piscina, tentando conseguir os 10 nãos o mais rápido possível. E no caminho vai acabar conseguindo diversas respostas positivas.

Além disso, ao fazer essa tarefa reorganize suas frases para parecer esquisito propositalmente e conseguir as respostas negativas. Então baseado nas reações, comece a mudar suas frases e abordagens para conseguir as respostas positivas.

3 – Exercício “Fundo limpo”

Um dos grandes erros que vejo fotógrafos de rua cometendo em seus trabalhos é que o fundo das fotos tende a ser muito cheio e bagunçado.

Em arte existe um conceito chamado “figure-to-ground” (um jeito chique de dizer contraste) em que você quer que o assunto da foto (figure) esteja separado e tenha um grande contraste com o fundo da foto (ground)

Então o exercício é o seguinte: tente fotografar um dia inteiro tendo sempre o fundo mais simples possível.

E o que seria um fundo o mais simples possível? Bem, um fundo simples pode ser uma parede de uma cor só (vermelha, azul, verde, etc). O céu também pode ser um fundo simples (se você se abaixar bastante dá pra fotografar apenas a pessoa e o céu).

Esse fundos simples podem ser conseguidos mudando um pouco a sua posição (indo para a direita, esquerda, agachando, ficando na ponta do pé) ou identificando um fundo simples, checando com a câmera o enquadramento e depois permitindo que a pessoa entre no frame.

Um dica profissional: Quando você está fotografando, foque no fundo (não na pessoa/assunto). Só coloque a pessoa no meio da foto, e o foco no fundo e na borda da fotos.

Porque?

Nós geralmente tendemos a enxergar em uma “visão de túnel) em que só conseguimos ver cerca de 20% do que está no centro da nossa visão. De fato, é assim que a visão funciona – nós não conseguimos ver uma cena por inteiro, nosso cérebro tende a preencher as lacunas com nossa visão periférica.

Portanto, quando fotografando na rua geralmente fazemos o seguinte: olhamos para assuntos interessantes, colocamos eles no centro da foto, no centro do frame, e negligenciamos (ou não pensamos a respeito) do fundo (background). O que acontece é que fotografamos algo interessante mas o fundo está totalmente disperso (ou não acrescenta nada à imagem).

Para uma boa inspiração a respeito de fotógrafos que fizeram sua carreira inteira baseada em fundos simples dê uma olhada no trabalho de Richard Avedon.

4 – Subrair, subtrair, subtrair

Esse exercício é um desdobramento do anterior: você vai criar fotografias mais e mais minimalistas, remover as distrações da sua foto.

A ideia geral é essa: comece com uma cena que te interessa, e continue a subtrair do frame, até que você (quase) não tenha mais nada sobrando.

Por exemplo, você vê um cara bebendo cappuccino em um café e você quer tirar uma Street Photography dele. A foto que normalmente tiraria é uma foto na horizontal, que deve ter um monte de informações desnecessárias, desordenadas tanta na esquerda como a direita do frame.

Então você subtrai da esquerda e da direita, fotografando na vertical.

Agora você tem uma imagem muito mais simples: Você subtraiu a desordem dos dois lados do frame.

Agora você quer subtrair mais. Mas como?

Você percebe que não precisa incluir as pernas dele na foto. Então você dá uma passo a diante, e agora você fotografa no horizontal novamente. Agora você só a foto do seu peito até o topo da sua cabeça.

Você consegue subtrair mais? Pode apostar que consegue.

O que é realmente interessante sobre essa cena? Bem, o homem tem algumas texturas interessantes na mão, e o cappuccino tem um desenho interessante dentro do copo, uma forma legal. Então você chega ainda mais perto. e dessa vez subtrai tudo da cena (menos o cappuccino e a mão do homem). Se sua câmera tem a função macro, é uma boa hora para usá-la.

O ponto chave desse exercício é tentar descobri o quanto você consegue subtrair de uma cena e realmente capturar a essência da cena.

Existe muito ruído na fotografia (elementos que não acrescentam nada na cena). Ao invés disso procure por uma sintonia mais fina, os elementos que são interessantes de verdade.

Então quando você está fotografando na rua, o que acha realmente interessante? Foque nos detalhes.

Geralmente esse exercício envolve chegar mais perto da ação e das pessoas, do assunto da fotografia.

Como Robert Capa disse, “Se suas fotos não estão boas o suficiente, você não está perto o suficiente“.

E por chegar perto, você acaba ficando mais física e mentalmente íntimo do assunto da fotografia, e elimina a desordem.

5 – Adicione, adicione, adicione

Hahaha agora para este exercício, você fará exatamente o oposto do exercício anterior “Subtrair, subtrair, subtrair”.

Então para este exercício quando você estiver fotografando uma cena, a cada foto que tirar, tentará adicionar outro elemento (pessoa, objeto, ou elemento de composição).

Esta é uma aproximação mais “maximalista” da fotografia de rua – para criar imagens mais complexas que tem mais camadas, coisas acontecendo – imagens que tem mais complexidade. Geralmente esta tarefa deve ser para fotógrafos de nível intermediário/avançado em fotografia de rua, que já dominam a arte de subtração. (Exercício 4)

É assim que fotógrafos de rua como Alex Webb, Lee Friedlander, Joel Meyerowitz, e Jason Eskenazi trabalham suas fotografias. Eles constantemente adicionam à cena, e levam seus enquadramentos ao limite – ao ponto aonde o caos quase toma conta, mas ainda há forma e ordem.

Quando estiver praticando o exercício “adicione, adicione, adicione” – a chave é tentar fazer com que não aconteça sobreposição dos elementos.

Por exemplo, se você vai fotografar uma cena, tente adicionar espaços negativos (livres) entre os objetos. Se você olhar o trabalho de Alex Webb, verá que normalmente não há pessoas sobrepostas na cena, e que existe um espaço livre entre os objetos.

Além disso se você puder olhar as paisagens urbanas de Lee Friedlander, verá a quantidade de elementos de composição, linhas, formas, prédios, sombras e outras formas ele entulha na foto (sem que haja sobreposição).

Então para essa tarefa vamos dizer que você vê alguém fumando em uma esquina. Tire a foto da pessoa fumando o cigarro.

Então espere um segundo e veja o que mais você pode acrescentar à foto. Talvez na esquina você veja uma criança brincando com uma bola, tente incluir ela na cena.

O que mais é possível adicionar? Bem, no canto esquerdo superior você vê um pombo se preparando para voar. Espere um segundo e talvez ele voe? Se você tiver sorte você conseguirá registrar o momento decisivo, quando o pombo começar a voar.

Agora o pombo já foi embora, o que mais você pode acrescentar? Você vê algumas pessoas na calçada em que você está passando na sua frente. Tente incluir essas pessoas que estão passando desfocadas no primeiro plano da sua foto.

Você pode continuar fotografado assim até conseguir preencher a foto de um canto ao outro.

Veja o quanto é possível acrescentar à sua fotografia antes dela se esgotar. Force os limites.

6 – O exercício da “Uma quadra”

Alguns anos atrás eu fui um dos curadores (e participante) do primeiro “Você Está Aqui”, um exercício de fotografia de rua nos Estados Unidos. Meus amigos Jacob Patterson e Nina tiveram uma brilhante ideia: eles escolheram uma quadra em Los Angeles e você só estava permitido a fotografar naquela quadra. Por um mês você só estava permitido a fotografar naquela quadra, e eles exibiram as três melhores fotos de cada fotógrafo na quadra mesmo.

No início parecia simplesmente impossível. Como era possível ser criativo fotografando apenas uma quadra? Haviam tantos outros lugares que eu gostaria de fotografar na região. Me senti bem reprimido tendo que fotografar somente ali.

Mas enquanto o mês passava (e talvez depois de andar centenas de vezes na mesma quadra) eu tive uma grande epifania: limites alimentam a criatividade.

Estar comprometido a fotografar apenas aquela quadra me forçou a ser criativo. O que eu poderia fazer com o material e com as pessoas naquela quadra para fazer fotografias interessantes? Essa situação me forçou a pensar “fora da caixa” – e também a valorizar o que eu tinha disponível (e não o que não tinha).

Além disso comecei a conhecer aquela quadra bem pra caramba. Conheci as pessoas que moravam e trabalhavam ali muito bem. Não somente isso, mas a coisa engraçada era que: cada vez que eu dava uma volta na quadra, descobria um novo pequeno detalhe ou alguma coisa que era nova.

E no final, todos os fotógrafos terminaram fazendo 3 fotos muito boas e a apresentação das fotos foi um grande sucesso.

Então como você pode aplicar este mesmo conceito na rua em que fotografa?

Bem, escolha uma quadra no seu bairro ou mesmo na sua cidade (de preferência perto da sua casa ou trabalho) e faça o projeto nessa quadra. Faça por um mês, e escolha suas 3 melhores fotos.

Se você for realmente ambicioso, talvez você possa fazer isso por um ano inteiro, e se você escolher 3 fotos por mês, você pode editar essas 36 imagens (um bom tamanho para um livro).

Esse exercício vai ter forçar a ser criativo com o espaço e a área que você tem, e te fazer conhecer a área muito bem. Acho que como um fotógrafo é melhor conhecer um lugar muito bem (do que viajar constantemente e ter um conhecimento superficial de diferentes lugares).

Não apenas isso, mas essa tarefa vai te ensinar que os melhores fotógrafos estão no seu próprio quintal, e não precisam estar longe de casa.

7 – O exercício “Uma câmera, uma lente”

Não acho que esse seja um “exercício” – é mais uma filosofia de vida e fotográfica.

Novamente, eu acho que a criatividade vem das restrições. As restrições são a liberdade.

Como escrevi em um artigo anterior sobre “Estar paralisado pela análise” em ter muitas opções de câmeras e lentes por ai – Estou tentando simplificar o meu processo.

Então para este exercício você só está permitido a fotografar com uma câmera e uma lente durante um ano inteiro.

Se você acha que isso é muito radical, então comece de uma forma mais branda: faça o exercício por uma semana ou um mês.

É um grande exercício para te ajudar a simplificar sua vida como fotógrafo.

Se você está lendo este artigo, você é parte do círculo de 1% de pessoas mais influentes do mundo. Nós temos dinheiro suficiente disponível para compra uma câmera, enquanto milhões de pessoas no mundo estão com sede, fome e sem nem mesmo um lugar para morar.

Então temos um “problema de primeiro mundo” em que temos muitas câmeras e muitas lentes – e temos aquele nervosismo em não saber o que escolher.

E o que é “não saber o que escolher”? É a ideia de que temos muitas opções (digamos, diversas câmeras para fotografar) e não sabemos qual a câmera mais ideal para fotografar com.

Digamos que você tem uma DSLR (Canon 5D Mark III), uma Fujifilm x100, e uma câmera compacta qualquer. Todas são ótimas para diversas situações: Uma DSLR é ótima para trabalhos comerciais e para trabalhar com um ISO alto, a x100 é ótima para a maioria das fotos e a compacta uma ótima opção de bolso para se ter por perto em qualquer situação.

Mas vamos dizer que você tem o fim de semana inteiro disponível para fotografar pela cidade. O dilema então se apresenta: que câmera você deve levar com você?

Você começa a pensar nas vantagens de cada câmera, nas lentes, (no peso do equipamento, nas distâncias focais) e a vantagem de cada câmera. Você fica perdido com todas as opções e acaba levando todo seu equipamento.

E é claro, você acaba com uma mochila/bolsa pesada e acaba fazendo poucas fotos (seus ombros doem depois de andar com esse peso todo), e não aproveita muito a experiência.

Mesmo tendo duas câmeras com você ao fotografar é uma perturbação. Você vê uma cena interessante, e pensa (por um segundo) qual a câmera “ideal” para fotografar este momento? Nesse segundo pensando você pode ter perdido o momento mágico ou decisivo da cena.

Vamos dizer que você só tem uma câmera, mas tem duas ou três lentes na bolsa. A escolha aparece outra vez, você vê uma cena interessante na rua, mas fica paralisado por um momento pensando em que lente usar. Talvez a pessoa esteja muito longe para usar uma 35mm, então você coloca a 50mm. Mas enquanto você trocava de lente a cena se foi. Ou vamos dizer que você tem uma 35mm e entra em uma rua muito tumultuada, cheia, e coloca sua 28mm. Mas faz tempo que não usa a 28mm, então não tem certeza do quanto precisa estar próximo para que o assunto preencha toda a foto (logo as bordas da foto ficam vazias e bagunçadas).

Qual o benefício de fotografar com uma câmera e uma lente então?

Bem, tendo menos opções em termos de com o que fotografar – você tem menos stress. Você conhece muito bem a câmera com que fotografa diariamente (porque você só tem esta opção).

Portando se você tem muitas câmeras, você pode trancar elas em alguma lugar (tirar da sua visão, da sua mente), emprestar para algum amigo, ou simplesmente vender. Muitas câmeras e muitas lentes são uma distração.

Além disso, tendo uma câmera e uma lente, te faz conhecer a câmera e a distância focal muito bem. Cada sistema de câmera tem seus prós e contras, e não exista uma câmera perfeita ou ideal.

Como você sabe que aquela câmera é perfeita para você?

Não existe câmera perfeita – mas posso garantir que existe uma câmera que se encaixa em 80% das suas necessidades para fotografia de rua. No final das contas é uma questão de escolha pessoal.

Para a maioria dos fotógrafos de rua, acho que a FujiFilm x100T se encaixa em 90% das suas necessidades fotográficas. Pequena, compacta, lente não cambiável, viewfinder, e discreta. A Ricoh GR também é uma ótima câmera que atende cerca 80% das suas necessidades (pequena, compacta, sempre com você, não tem um viewfinder mas não chega a ser um problema). Se você tem dinheiro, uma Leica com uma lente 35mm é ideal. Ou se você não quer gastar dinheiro, você pode sempre fotografar com seu smartphone.

Escolhendo uma câmera que é “boa o suficiente” para suas necessidades é “satisfatório”. Uma câmera que supre 80% das suas necessidades.

O que muitos de nós tentamos fazer com nossa câmeras é encontrar a câmera que supre 100% das nossas necessidades. Mas essa câmera não existe. Esta é uma abordagem “maximalista” (que leva a mais stress, frustração e descontentamento).

Então por uma semana, um mês, ou um ano – tente ficar apenas com uma câmera e com uma lente. Suas composições e seus enquadramentos irão melhorar (você ficará acostumado com a distância focal), você terá menos stress (saberá com que câmera fotografar todas as vezes), e vai carregar menos peso.

Em termos de uma distância focal adequada, recomendo a 35mm para 95% dos fotógrafos de rua. Se quiser uma 28mm ou 50mm essas são boas opções também. Mas saiba que com uma 28mm você tem que chegar muito perto dos seus objetos e com a 50mm fica bem restrito (especialmente se viver em uma cidade muita densa, estreita).

8 – O desafio dos “70 centímetros” (também chamado de desafio da “distância de uma braço”)

Esse exercício peguei do Satoki Nagata, um talentoso fotógrafo de rua de chicago (que por suas vez, pegou do seu mentor fotográfico).

A ideia é a seguinte: durante um dia, semana, mês você não está permitido a fotografar nada mais distante do que 70 centímetros (a distância mínima de foco de uma Leica) que é cerca de um braço de distância.

Qual o propósito deus tarefa?

Bem – se você tem medo de fotografia de rua, chegar super perto dos seus objetos, irá te forçar a ser mais confiante e ficar mais íntimo dos seus assuntos.

Pode ser que você ache impossível fotografar algo a 70 centímetros sem ser notado. Então começará a perder permissão às pessoas.

Você pode fazer isso no seu exercício (para ter certeza que você não irá trapacear) foque antecipadamente em 70 centímetros e deixe o anel do foco lá. Se sua lente não tiver marcações de distância, coloque seu braço na parece, foque e deixe ele travado nessa distância.

Por meio desse exercício, você ficará muito mais confortável quando fotografar bem próximo. Um problema que vejo em fotógrafos de rua é: eles tem medo de chegar perto de seus assuntos, e geralmente fotografam muito longe dos assuntos.

9 – O desafio das “1000 fotos”

Outro problema que vejo muito fotógrafos de rua cometerem é que quando vêem uma cena interessante tiram apenas uma fotos. O problema é que muitos de nós, fotógrafos de rua, carregamos o mito do “momento decisivo” grudado na cabeça – acreditamos que os mestres da fotografia de rua (como Cartier Bressan) tiravam apenas uma foto de uma cena de alguma forma “capturavam” ele de primeira.

A realidade é que os melhores fotógrafos de rua frequentemente tiram muitas fotos de uma mesma cena.

Se você olhar os negativos dos mestres da fotografia de rua, verá que eles frequentemente trabalhavam a cena, quando viam que era interessante. Você pode ver isso vendo os “Magnum Contar Sheets” ou mesmo olhando os negativos de Robert Frank do “The Americans” do livro “The Americans, Looking In”.

Se você fica muito nervoso e hesita muito quando está na rua (por exemplo, vê uma cena interessante, quer fotografar ela, mas você esta nervoso, e acaba não fotografando porque analisa demais) essa tarefa será perfeita para você.

Então o exercício é esse: em um único dia você irá tirar no mínimo 1000 fotos.

Não estou dizendo que como fotógrafo você tem que tirar 1000 fotos todo dia. Mas se você se encontra hesitando em fotografar na rua (porque esta nervoso ou se criticando muito), se tira só uma ou duas fotos de uma cena e quer aprender como trabalhar a cena – esse exercício vai te ajudar a relaxar e a lubrificar seu “dedo no gatilho”.

10 – Desafio da “Profundidade Extrema”

Para este exercício você tentará criar uma “profundidade extrema” – no sentido da fotografia de rua será o seguinte: um assunto bem perto de você no primeiro plano, alguém no plano médio e alguém bem longe no último plano da foto.

Você pode cumprir essa tarefa fazendo o seguinte: Pré-foque sua lente em 5-10 metros, encontre alguém que não está se movendo muito por ai no plano médio, e tente adicionar algo fora de foco no plano mais perto de você.

Isso vai te ajudar a criar mais profundidade em suas fotografias e mais complexidade.

11 – O exercício de “Não se Mexer”

Esse é parecido com o desafio da “uma quadra” – mas ainda mais restritivo.

Peguei esta ideia de Joel Meyerowitz em que ele dizia que costumava correr pelas ruas o dia inteiro atrás de “momentos decisivos” – mas descobriu que isso era uma perda de tempo (e de energia).

Então ele começou a fazer algo diferente: Ele encontrava uma esquina interessante e agitada (em que as pessoas passavam por ele em todas as 4 direções) e fica com o pé plantado e fotografava aquela esquina.

O benefício dessa tarefa é que quando você está parado em uma esquina, as pessoas começam a ter ignorar. Você se torna invisível. Não somente isso, mas as pessoas então andando no seu território – seu espaço. Você possui aquela esquina (como uma fotografo de rua).

Preferencialmente você deve fazer esse exercício por 30 ou 60 minutos. Também recomendo fazer isso durante a “Golden Hour” (nascer ou por do sol que é quando a luz fica bem legal e com grandes sombras). Fotometre para os highlights (assim suas sombras ficarão legais e pretas/escuras).

Esse exercício também te ensinará a ser paciente – a te fará compreender que você pode deixar os assuntos virem a você, ao invés de estar sempre tentando caçar seus assuntos.

12 – O desafio de “Um filme por dia”

Esse exercício é bom para as pessoas que fotografam com filme.

Penso que uma das coisas mais difíceis como um fotógrafo é se manter inspirado e motivado.

Conheço algumas pessoas (me incluindo) que demoram um mês inteiro para fotografar um filme todo.

Então se você quer se manter inspirado com sua fotografia de filme, tente fotografar um filme inteiro (36 poses) todo dia por um mês inteiro (30 dias). Ao final do mês, edite e escolha de todas as imagens feitas 5 fotos preferidas.

Tendo essa tarefa de ter que fotografar um filme inteiro em um dia, você ficará forçado a sair e fotografar, e a encontrar coisas que sejam interessantes. Não me entenda mal – há dias em que você simplesmente não consegue fotografar nada.

Isso é parecido com o que os escritores passam – eu não consigo escrever todo dias, mas vou tentar criar o hábito e me forçar a escrever de qualquer forma. Hoje está chovendo e eu acordei me sentindo grogue e sem muita vontade de escrever. Mas estou tentando criar o hábito de escrever todos os dias, então eu dirigi até um café, peguei meu café preferido, e escrevi esse pequeno livro de exercícios.

De forma parecida a academia: o ideal é ter um tempo separado para ir à academia todos os dias. Conseguir criar o hábito é muito complicado e doloroso (somos muito ocupados, estamos cansados, não temos vontade), mas no final de cada treino, ficamos felizes por termos ido.

Então tente fotografar um filme por dia, e no final no mês ficará muito feliz por ter feito isso.

Se você fotografa com uma câmera digital, talvez possa tentar tirar 36 fotos todo dia.

13 – Fotografe gestos

Esse talvez não seja um exercício (uma boa forma de fotografar a rua) – é uma forma de capturar emoções.

Mas como você pode capturar emoções em fotografia de rua?

Simples: comece capturando gestos.

O que é um gesto? Pode ser um gesto facial: alguém sorrindo, alguém carrancudo, alguém fazendo uma careta.

Pode ser um gesto com as mãos (alguém caído sobre a mesa com suas mãos cobrindo o rosto, alguém apontando, alguém com suas mãos nos joelhos. etc).

Pessoas frequentemente mostram emoções por meio da linguagem corporal e seus gestos.

Então por um dia inteiro tente fotografar apenas gestos. Não fotografe apenas pessoas andando com as mãos ao lado do corpo.

E avançando na sua fotografia de rua – continue a tentar fotografar gestos e emoções. Essa é uma das chaves para fazer boas fotografias de rua.

14 – Fotografe o arco-iris

Se você está interessado em fotografia de rua colorida, esse é um exercício simples que você pode fazer:

Por um dia inteiro, semana, mês ou ano, tente fotografar as cores vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, roxo e rosa. Faça uma seleção das suas 7 fotos favoritas (1 foto de cada cor).

Esse é um exercício um tanto quanto simplista – mas bem divertido. Ele irá te forçar a propositalmente procurar por cores. É uma pequena caça ao tesouro – e seus olhos ficarão muito mais perceptivos para as cores.

15 – Fotografe Triângulos

Acho que uma das minhas técnicas de composição preferidas é fotografar triângulos.

Geralmente fotografias ficam melhores com números ímpares de assuntos para criar equilíbrio e harmonia no frame (1, 3, 5, 7, etc). Ter dois assuntos no frame também pode funcionar como uma forte justaposição (fotografar uma pessoa gorda perto de uma pessoas magra, um velho perto de um idoso) ou duas pessoas que pareçam idênticas.

Mas com triângulos, tenta colocar uma pessoa ou elemento em cada canto do frame.

Você pode começar tendo um assunto no canto inferior esquerdo do frame, um assunto no canto inferior direito, e tentar adicionar um assunto no topo do frame.

Para grandes exemplos de composições triangulares em fotografia de rua, veja o trabalho de Josef Koudelka (especialmente em seu projeto com ciganos).

Um texto de Erik Kim – Tradução livre por André Nascimento | Original em: http://erickimphotography.com/blog/2014/12/19/15-street-photography-assignments-re-energize-re-inspire/