Descubra o que fotografar, não como fotografar

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Descubra o que fotografar, não como fotografar

Querido amigo,

Eu quis escrever essa carta a respeito da importância de saber o quê fotografar, e não de saber como fotografar.

Como fotógrafos nós frequentemente nos pegamos pensando em equipamentos, lentes, métodos de pós produção e técnicas fotográficas. Nos perguntamos qual o melhor tipo de câmera para fotografar, qual a melhor lente, quando usar preto e branco ou colorido – e acabamos esquecendo a questão central: o que é mais importante para você? Ou, o quê nós deveríamos fotografar?

O que é um fotógrafo

Como fotógrafo, você não é nada além de um seletor de temas. Você é um filtro. Você enxerga a realidade através dos seus olhos e determina o que acha interessante o suficiente ou importante o suficiente para fotografar.

Os detalhes técnicos como abertura, velocidade, ISO,  e outros são em sua maioria feitos pela câmera. Eventualmente chegaremos a um dia em que não precisaremos nos preocupar com detalhes técnicos.  mas daqui a 2000 anos o que ainda será importante? O que nós fotografamos será importante.

O que tem significado pra você?

Acredito que a maioria de nós começou na fotografia de forma bem simples. Provavelmente começamos tirando fotos com nossos celulares para documentar a vida da nossa família, ou mesmo alguns momentos de nossas viagens. Talvez escolhemos a fotografia como uma forma de nos expressar e de fotografar aqueles que amamos. Talvez começamos a fotografar por causa do nosso interesse em arquitetura ou em coisas feitas pelo homem; e a fotografia era uma forma de documentar o que achávamos interessante.

Existem muitas coisas no mundo.  Há uma infinidade de coisas e assuntos para serem fotografados: flores, árvores, casas, carros, pessoas, animais, arquitetura, eventos, etc.

Mas o que é importante ou interessante pra você? A respeito do que você é apaixonado e sente a necessidade de sair e registrar?

Capturando o que você sente

Frequentemente me vejo pensando muito a respeito de como fotografar. Fico extremamente obcecado me perguntando se deveria fotografar com uma câmera digital ou com uma câmera analógica, em preto e branco ou colorido, em JPEG ou RAW, que lente usar, usar flash na câmera ou não. Mas eu preciso me lembrar que esta é a questão errada.

Se a minha preocupação principal é o quê fotografar, porque eu deveria estar tão obcecado com como fotografar?

Porque eu faço o que eu faço

Pessoalmente eu amo observar. Não que eu seja o tipo de pessoa que não deixa escapar nenhum detalhe mas gosto observar. Comecei minha jornada fotográfica ainda cedo, com 11 anos de idade. Um amigo do meu pai me emprestou sua câmera digital por um mês, era uma Sony Mavica que usava disquetes para armazenar as fotos digitais. Eu havia tirado poucas fotos com câmeras de filme até aquele momento e ter uma câmera digital na mão foi uma experiência que me desafiou e incentivou a ver melhor. Comecei fotografando as pessoas ao meu redor, o que elas estavam fazendo e eventualmente as coisas bonitas que eu via. Como um pôr do sol, alguma coisa colorida, uma forma interessante que uma janela tinha. Esse foi o meu começo, fotografar pessoas, registrando o que elas estavam fazendo e documentando as coisas que eu considerava bonitas. Talvez para poder provar ou compartilhar com os outros aquele momento.

E é exatamente isso que tenho feito hoje, continuo fotografando pessoas e o que elas estão fazendo. Seja em um casamento, noivado, aniversário, um encontro dos meus amigos ou um passeio com minha noiva. E sempre que vejo algo que considero bonito, fotografo e guardo para poder curtir isso novamente no futuro.

Quando você fotografa o que tem significado para você, aquilo que te fez buscar a fotografia em um primeiro momento, suas fotos passam a ter um grande valor. Seu tema as faz relevantes não só no presente mas também daqui há muitos anos.

Algumas verdades pessoais

Essas são algumas conclusões pessoais que me fizeram muito mais feliz (e menos miserável) na minha vida.

  1. Leia mais (Gostaria de ter passado mais tempo lendo livros e artigos sobre fotografia do que me preocupando com câmeras, filtros e técnicas).
  2. Compre experiências e não coisas (similar ao primeiro ponto – investir em experiências como viajar é muito melhor do que comprar um monte de bugigangas que eventualmente vão perder a graça e estragar).
  3. Você não precisa viajar para aproveitar a vida (Devido a história da minha família já viajei quase todo o Brasil; uma vez fui para a Europa e percebi que o mundo tem muito mais similaridades do que diferenças. Viajar é ótimo para abrir a sua mente e ver lugares novos sempre vai ser algo fascinante para mim. Porém mesmo que eu nunca mais viajasse não ficaria com um sentimento que que estou perdendo alguma coisa por ficar em um lugar apenas).
  4. Você precisa de um propósito (Ter um propósito claro de vida e do quê fotografar é o que nos move adiante. Acredite, comprar uma nova câmera não vai te inspirar a fotografar mais. A única maneira de se manter inspirado é ter um senso de missão e uma paixão muito claros – um propósito para fotografar. Ou então você vai morrer criativa, mental e espiritualmente).
  5. Se satisfaça no processo (Não podemos controlar quando vamos ou não fazer boas fotos, mas podemos controlar o quanto de esforço colocamos nesta tarefa, quanta paixão colocamos e quanto entusiasmo. Se nos deleitamos no processo, nos desapegamos dos resultados e desta forma teremos menos estresse e uma vida bem mais feliz).

Lembre-se que o importante é saber o quê fotografar, e não saber como fotografar.